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Friday, February 11, 2011

Post de Aniversário

Aniversário do blog?

Não!

É meu aniversário!


Do blog mesmo só em Junho, então vai aqui o post de destaque até então desse mês de Fevereiro, que queria ter escrito faz tempo, que deu um certo trabalho e que me orgulho de ter escrito!


Neuromancer


E em um ato de shameless self-promotion, vai aqui outro site que tento manter e que está parado ultimamente, até mesmo por causa desse aqui, mas não totalmente esquecido, o A Arte de Viajar.

Monday, January 31, 2011

Enthiran - Cyberpunk Indiano

Cyberpunk Indiano? Pode apostar! De início não deixa de ser motivo de risada, até porque a montagem que colocaram no YouTube está fazendo sucesso, mesmo que seja involuntariamente engraçado, e como resultado, fiquei curioso acerca do filme e resolvi assistí-lo.
Primeiro cyberpunk e primeira ficção-científica produzido na Índia, Enthiran merece ser conferido.
O vídeo, que é uma montagem das partes finais, é só uma pequena amostra das quase 3 horas de duração. Isso mesmo, 3 horas!
Na verdade, são 2 horas e 56 minutos, e apesar do ritmo ser bom, em alguns momentos, depois de tantos acontecimentos e mudanças de cenas, o filme fica um pouco cansativo e lá pela 1 hora e 15 mais ou menos, temos um letreiro de "Intermission". Com certeza nos cinemas houve o merecido intervalo para descanso.
É interessante pensar que se Enthiran for lançado no mercado norte-americano, por exemplo, para ocupar o time slot de 2 horas tão temido pelos donos de cinema, com certeza será editado ao ponto de se tornar completamente outro filme. Portanto, o flme como é é obrigatório para fãs do gênero cyberpunk e da ficção científica.
Enquanto não é todo original, o grande destaque de Enthiran é ser uma produção da Índia, ou seja, todas as convenções dos filmes Indianos estão presentes e a que talvez seja a mais conhecida delas, os números de danças, marcam presença, entermeadas ao longo do filme.
Produzido com o orçamento de 38 milhões de dólares, um record para a indústria de cinema Indiana, Enthiran não tem apenas o maior orçamento, mas tem a distinção de ser o filme Indiano de maior bilheteria mundial, além de ser o primeiro filme de ficção-científica produzido na Índia.
É realmente um marco.

A história gira em torno de um cientista, interpretado pelo ator Rajinikanth, que desenvolve um robô, também interpretado por Rajinikanth, com alto nível de inteligência artificial e perde o controle de sua criação.
Com 178 créditos como ator e uma carreira de quase 40 anos, Rajinikanth é a estrela do filme, e ele esbanja carisma e presença tanto no papel do cientista bem-intencionado quanto no papel do andróide.
O outro grande destaque do elenco é o interesse amoroso do cientista e surpresa!, do robõ, a atriz Aishwarya Rai, ex-Miss Mundo 1994 e dona de exuberantes olhos azuis-verdes. Com 45 créditos de atriz em seu currículo, Aishwarya não faz feio e cumpre bem o papel da donzela em perigo, Sana, com todo o seu charme e sensualidade, sem o mínimo de vulgaridade. 
Em 2 horas e 56 minutos, o diretor e co-roteirista, S. Shankar, constrói um longa-metragem no mínimo ambicioso.
Com tanto tempo para desenvolver a história, a produção não faz feio.
Na verdade, Enthiran não poderia ser considerado apenas um filme de ficção-científica, não quando temos tantas situações diferentes envolvendo o cientista e o robô, ou até mesmo o robô e Sana: uma mistura de ficção com fantasia, toques de comédia e até mesmo romance, porque invarialmente o robô, dado o nome de Chitti, desenvolverá sentimentos e cairá pela mocinha.
Até isso acontecer, várias situações se desenrolam, desde a criação do ser até seu nascimento e as interações dele com o seu criador e outros humanos. Tudo é conduzido através de cortes rápidos e como não poderia deixar de ser, entrecortado pelos grandiosos números musicais de praxe da cultura Indiana. Os números musicais são bem produzidos e enquanto não adicionam muito à história, também não diminuem, muito pelo contrário: acredito que ajudam a manter a identidade do filme às suas raízes.
Enquanto assistia o filme, me peguei pensando em outro filme recente e também produzido fora dos padrões hollywoodianos, Distrito 9, que com um orçamento similar, deu o que falar. Enthiran parece estar seguindo o mesmo caminho, com o vídeo no YouTube bombando e fazendo as pessoas se interessarem pelo filme.

Elementos cyberpunks

Inteligência Artificial desenvolvida é o grande tema aqui, e o nível alcançado por Chitti supera o ser humano, e logo sentimentos como o amor começam a surgir. O problema, como em outros grandes trabalhos da ficção, é quando a criação foge ao controle de seu criador e as consequências formam o fio narrativo da segunda porção do filme.
É aqui então que podemos ver influências de outros trabalhos de ficção, como Frankenstein, Exterminador do Futuro e até mesmo Matrix. É notável a semelhança entre Chitti, quando este se torna o vilão, e o Agente Smith e o divertimento que os atores sentem em interpretar tais personagens. IAs fora de controle, ambos personagens se sentem superiores à raça humana e decidem se rebelar (em Enthiren não é bem uma decisão, mas não falo mais nada para não entregar spoilers) e essa semelhança fica muito mais evidente na parte final. É impossível também não comparar as cenas de perseguição de Chitti com a cena de perseguição na rodovia que acontece em Matrix Reloaded: enquanto em Matrix é Trinity a perseguida, em Enthiran é Chitti quem protagoniza as cenas mais mirabolantes e absurdas do cinema de todos os tempos, seja ele Indiano, Americano ou de qualquer outro país. Os papéis aqui se invertem, pois é o robô que está sendo perseguido, e não um ser humano; com todas as suas habilidades, Chitti não apenas foge como revida os ataques sofridos, tomando forma de esfera, cobra e até um robô gigante quando se junta com o seu exército de cópias. É aqui que o drama construído durante a primeira hora de filme perde um pouco a força e os efeitos especiais tomam conta, servindo à imaginação do diretor. Alguns momentos acabam se tornando involuntariamente engraçados com o tamanho absurdo das cenas, mas nada que prejudique o filme - marketizar o filme através dessas cenas é uma possibilidade clara, já que o vídeo no YouTube está atraindo tantos visitantes.
Os efeitos especiais servem bem ao filme, e com um orçamento baixo, se comparado aos padrões das grandes produções de Holywood, faz frente aos filmes norte-americanos. Os efeitos práticos talvez sejam o destaque aqui, sendo desenvolvidos pelo renomado Stan Winston Studios, que trabalhou em diversas produções, A.I. sendo umas delas. Os efeitos de maquiagem são notáveis, rivalizando os efeitos encontrados no filme de Spielberg, outra produção de temática parecida. Os modelos em animatronic que aparecem em Enthiran são críveis o suficiente para receber o reconhecimento de várias instituições.
Enquanto o filme não é o mais profundo filosoficamente, possui algumas boas idéias e as executa de maneira que traz um muito bem-vindo frescor ao gênero, e isso se deve exclusivamente ao fato dele ser uma produção inteiramente Indiana. Ponto para eles.

Conclusão

Em suma, assista ao filme e não se arrependa, se surpreenda com a duração, com o esforço de dois anos de produção para realizar o filme, seja com as cenas de ação, seja com o elenco ou com o mais importante, a história!
Recomendado!











































Friday, January 7, 2011

Missão

Acredito que esse é o último post a ser traduzido para o português, que na verdade foi o primeiro a ser escrito aqui:

- Prover e discutir material cyberpunk: animés, quadrinhos, filmes e música - arte em geral.
- Prover e discutir notícias, pesquisas e eventos relacionados.

Acredito que seja esse o meu objetivo com o site.

Alguns posts:

- animés cyberpunk:

Appleseed

Ghost in the Shell

- quadrinhos:

The Long Tomorrow

- filmes:

Gunhed

Avalon

- notícias:

Idoru - O Futuro do Pop

- pesquisa:

Nanotecnologia e Água

E é isso, por enquanto.

Para que todos saibam, o clique nos links reverte uma pequena receita, portanto você estará ajudando o site - e a mim, é claro - a se manter.

A seguir, pretendo resenhar a segunda temporada de Stand Alone Complex, Akira e escrever um pouco sobre o Wikileaks.

Agradeço a ajuda de todos!

Wednesday, January 5, 2011

Seção "Eu Quero!" - Cyberpunk Goggles

Produto claramente direcionado a praticamentes de esportes de inverno, não dá pra evitar ter o desejo de possuir esse óculos:


 Pouco prático para nós brasileiros, o site do fabricante indica os recursos:

- GPS embutido;

- Tecnologia de sensores;

- Porta USB;

- Display micro LSD para o HUD (ou Head-up Display), contendo medidores de velocidade e distância percorrida, temperatura ambiente e localização.

Por apenas $430 dólares canadenses, pode ser seu.

Agora só precisamos de um pouco de neve, certo?

Fonte

Sunday, December 26, 2010

Innocence: Ghost in the Shell

Aviso: Spoilers!

Bom, como já resenhei o primeiro GitS aqui, estava devendo a resenha do segundo filme da série, Innocence.
Lançado em 2004 e novamente escrito e dirigido por Mamoru Oshii, Innocence teve um orçamento de 20 milhões de dólares e foi co-produzido pelos estúdios I.G e Ghibli.
O primeiro Ghost foi bem recebido em vários aspectos técnicos, entre eles, sendo um dos primeiros animes a misturar com sucesso animação tradicional com animação computadorizada (quem possuir o dvd nacional pode assistir alguns making of a respeito das técnicas utilizadas). Quase dez anos depois, Innocence se utiliza novamente dessa mistura de técnicas, levando a animação em geral, tanto oriental como ocidental, para outro patamar.
Mas esses são apenas detalhes técnicos, que são facilmente perceptíveis logo na abertura do filme e saltam aos olhos. Assim como seu antecessor, o que importa em Innocence é a história e suas várias camadas.
Anos depois dos eventos do primeiro filme, Batou, junto com o seu novo parceiro, Togusa, membros da Seção 9, investigam uma série de assassinatos ligados à corporação LOCUS SOLUS, fabricante de modelos de andróides conhecidos por gynoids, que funcionam como "pleasure models". É importante notar o simbolismo dos manequins tanto em Innocence quanto no primeiro GitS (no qual há um pequeno intermission da Major em uma cena com tais peças).
Innocence até aqui soa como um filme policial. E, no fundo, realmente o é. Um policial com uma excelente história, que sempre tem aquele algo a mais que nos faz gostar do filme como um todo e o faz se distinguir de seus semelhantes, deixando a sua marca. E nesse caso, o algo a mais são os elementos cyberpunk.
Logo na abertura, e espelhando a do primeiro GitS, com direito à soberba trilha sonora composta por Kenji Kawai, vemos em magníficos detalhes o passo-a-passo da fabricação e ativação de um andróide, feita totalmente em animação CGI. Assim como no primeiro filme, essa sequência é precedida de uma pequena abertura, dessa vez com Batou e o primeiro indício da história, que dará o tom do filme.




















O que se segue no restante do filme é o esperado de mais um filme da série GitS: poucas mas excelentes cenas de ação e vários "intervalos" filosóficos, nos quais os personagens principais e secundários trocam citações relevantes ao tema ou não. Algumas vezes um simples diálogo pode se tornar uma discussão pesada no tom filosófico, o que pode pegar alguns desavisados de surpresa. Até mesmo os que esperam tais cenas de um filme dirigido por Mamoru Oshii podem ser pegos off guard. Comparado com o primeiro GitS, Innocence é muito mais pesado nesse sentido, podendo desistimular o espectador mais casual. E talvez esse seja o seu maior problema. Por volta de uma hora de filme, eu mesmo tive que tirar um intervalo por que realmente fica pesado e um pouco difícil de acompanhar. Innocence não é leve nas indagações de filosofia, muito mais que o primeiro e até mesmo Avalon.

Exemplos:





E falando nesse live-action, Innocence parece muito mais uma sequência de Avalon do que do primeiro GitS, tematicamente falando. Além dos tons de sépia e amarelo usados por Oshii tanto em Avalon quanto em Innocence, ambos os filmes exploram praticamente o mesmo tema, apesar de terem resultados diferentes: o conceito de realidade. Seguir o tema do primeiro filme seria fácil demais e Oshii deliberadamente escolheu seguir outro caminho. Duas cenas que se destacam é a cena na loja e a cena na mansão. A cena da loja é requintadamente feita, com todos os seus detalhes e pompa, mas a da mansão realmente é o destaque do filme. Com exímia demonstração de habilidades de hacking, os dois personagens principais são vítimas dessa experiência que os fazem questionar o momento (o que me lembrou a cena genial de déjà vu do primeiro Matrix).



 E são salvos desse labirinto por ela, como combinado antes:




O anjo da guarda da série e de Batou. Um filme da série não seria um sem a presença dela, talvez a melhor personagem cyberpunk de todos os tempos, contando tanto os filmes quanto a série Stand Alone Complex.

Após os eventos do primeiro filme, ela é dada como desaparecida e apenas Batou sabe, ou pensa que sabe, o que aconteceu com o seu paradeiro. Em Innocence, Batou ocupa o lugar de Motoko como protagonista da história, tentando se recompor e lidar com o desaparecimento da sua parceira. Togusa é atribuído como seu novo parceiro e também sente os efeitos da não-presença da Major, não sabendo como lidar com tal fato e como se equiparar à Major como parceiro de Batou.

Em paralelo, Togusa serve como alguém que o público pode se identificar (talvez o único do filme?) e Batou, mais do que nunca, é a persona de Mamoru Oshii na história, perdido no mundo depois do desaparecimento da sua personagem principal. É difícil superar tal perda, levando em conta o carisma e o peso que tal personagem tem, mas Oshii consegue com sucesso levar Innocence adiante, deixando a ausência da Major em segundo plano até mais que da metade da história, trazendo-a de volta para salvar o dia, ainda que por meios não-convencionais, que se sobressaem em uma história cyberpunk.

Reencontro:


Chegando à conclusão:





Para terminar, vale a pena assistir Innocence, quer você esteja procurando um bom policial, uma boa história, um bom cyberpunk ou apenas um longa-metragem com "gráficos bonitos". A cada filme, Oshii se supera e depois de 6 anos de seu lançamento, Innocence ainda surpreende. Mal posso esperar pelo próximo filme da série. Quem sabe explorando os efeitos do amálgama Motoko/Puppet Master no mundo? William Gibson, coincidentemente, escreveu em Count Zero (segundo livro da "Trilogia Sprawl" depois de Neuromancer) algo similiar, mas isso é assunto para depois.

Curiosidade final e que vale a pena conferir é o "Kenji Kawai's Concert 2007 Cinema Symphony", em duas partes com música do filme: