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Friday, January 7, 2011

Assault Girls

Bem como Avalon, Assault Girls é escrito e dirigido por Mamoru Oshii. E como Avalon, A.G. se passa no mesmo mundo dominado pelo jogo de realidade virtual de mesmo nome. É dentro do jogo que a história se passa.

Lançado a pouco mais de um ano atrás, em dezembro de 2009, o filme teve um lançamento pouco marketizado e passou despercebido. Os trailers que vi não me empolgaram muito e as resenhas que li pela internet não foram favoráveis mas mesmo assim, sendo um filme de Oshii, decidi conferir. Sabendo que se passava no mesmo mundo de Avalon foi um plus.

Com duração de apenas 01 hora e 10 minutos (uma hora e cinco minutos exatamente sem contar com os créditos finais), Assault Girls parece mais um complemento, uma side story, do que um stand alone movie. Provavelmente essa foi a intenção de Oshii quando realizou esse longa, mas com certeza, para os menos atentos, deixa um gosto amargo de que algo está faltando.

Um grande problema também é a escolha do idioma. Com um elenco formado por atrizes e atores japoneses, as falas são praticamente todas em inglês, e apesar de haver um motivo para tal escolha, explicação dada no final -, logo nos minutos iniciais percebe-se que a interação entre as personagem fica muito artificial e prejudica o entendimento do filme. Oshii se utilizou da mesma técnica em Avalon e se saiu infinitamente melhor. Para piorar, as personagens usam máscaras e na maior parte do filme o som das suas vozes saem abafados, deixando incompreensível a clareza do som. Realmente é de testar a paciência do espectador.

Outro aspecto no mínimo bizarro é a escolha feita dos inimigos enfrentados no jogo - é impossível não pensar nas sand worms de Duna.

Mas Assault Girls tem seus méritos.

As cenas de ação são bem realizadas e coreografadas e os efeitos especiais são bem feitos também, para um filme que parece não ter tido um orçamento muito grande. O figurino composto de armaduras e uniformes utilizados pelos personagens são críveis e dão um ar de autenticidade à proposta do filme.

A trilha sonora também é um destaque, composta por Kenji Kawai, parceiro musical de longa data de Oshii.

Como curiosidade, Assault Girls teve origem no curta Asssault Girl: Hinako The Kentucky, disponível no filme Shin-Onna Tachiguishi Retsuden, lançado nos EUA com o título de The Women of Fast Food, que por sua vez faz parte da Kerberos Saga, orquestrada pelo próprio Oshii.

O curta está disponível no YouTube aqui:



O curta é interessante e merece ser visto, talvez mais até que o próprio quase-longa que originou.

Assault Girls é um filme difícil e apesar das cenas finais compensar todo o restante do filme, é recomendado apenas para fãs hardcore de Avalon e seu diretor.

Há rumores de uma continuação e espero que Oshii-san tenha um pouco mais de juízo em realizá-la, pois potencial existe.




 

 

 

No ghost, just a shell

 
 



 


 


 

 
Os principais responsáveis pelos méritos do filme

Thursday, January 6, 2011

Avalon

Bom, como passei para o português a resenha do Ghost in the Shell original, aqui está traduzida a do filme Avalon, também dirigido por Mamoru Oshii.

Depois de um hiato de 5 anos, Mamoru Oshii deu seguimento à sua filmografia com o filme live-action Avalon, uma co-produção entre Japão e Polônia.


Avalon conta a história de Ash, interpretada pela atriz polonesa Małgorzata Foremniak, e suas incursões no mundo de um jogo de realidade virtual ilegal conhecido por, sim, Avalon.

Ash é uma das melhores jogadoras e logo começa a ouvir rumores de uma fase secreta escondida chamada de Special A.

O que acontece em seguida é a busca de Ash por tal nível.

Avalon é Mamoru Oshii no seu melhor. A história é contada de maneira vagarosa, contemplativa, quase que meditativa da rotina diária de Ash, estilo bem similar ao de Ghost in the Shell; a cinematografia em tons de sépia, tanto na realidade virtual quanto no mundo real, fazendo com que a linha entre os dois mundos fique mais tênue ainda; um interlúdio musical que pode fornecer pistas da história e muito mais.

Avalon com certeza leva seu tempo para se desenvolver - espere discussões filosóficas pesadas entre personagens, mas para quem já conhece o diretor, não é nenhuma surpresa.

Há muitos paralelos entre esse filme e Ghost in the Shell, e isso é assunto para outro post.

Avalon é um filme de qualidade acima da média dentro do gênero cyberpunk, e com certeza deixa a sua marca, exatamente como os outros filmes de Oshii.

Como curiosidade, é interessante o fato de que o filme todo é falado em japonês, apesar dos atores serem poloneses. Outro  filme cyberpunk, Gunhed, teve um caso similar: atores japoneses falando tanto em japonês quanto em inglês, com resultados desastrosos.

Ash XP

Menus Ghost in the Shell


Ash = Motoko


Chefe final

Sunday, December 26, 2010

Innocence: Ghost in the Shell

Aviso: Spoilers!

Bom, como já resenhei o primeiro GitS aqui, estava devendo a resenha do segundo filme da série, Innocence.
Lançado em 2004 e novamente escrito e dirigido por Mamoru Oshii, Innocence teve um orçamento de 20 milhões de dólares e foi co-produzido pelos estúdios I.G e Ghibli.
O primeiro Ghost foi bem recebido em vários aspectos técnicos, entre eles, sendo um dos primeiros animes a misturar com sucesso animação tradicional com animação computadorizada (quem possuir o dvd nacional pode assistir alguns making of a respeito das técnicas utilizadas). Quase dez anos depois, Innocence se utiliza novamente dessa mistura de técnicas, levando a animação em geral, tanto oriental como ocidental, para outro patamar.
Mas esses são apenas detalhes técnicos, que são facilmente perceptíveis logo na abertura do filme e saltam aos olhos. Assim como seu antecessor, o que importa em Innocence é a história e suas várias camadas.
Anos depois dos eventos do primeiro filme, Batou, junto com o seu novo parceiro, Togusa, membros da Seção 9, investigam uma série de assassinatos ligados à corporação LOCUS SOLUS, fabricante de modelos de andróides conhecidos por gynoids, que funcionam como "pleasure models". É importante notar o simbolismo dos manequins tanto em Innocence quanto no primeiro GitS (no qual há um pequeno intermission da Major em uma cena com tais peças).
Innocence até aqui soa como um filme policial. E, no fundo, realmente o é. Um policial com uma excelente história, que sempre tem aquele algo a mais que nos faz gostar do filme como um todo e o faz se distinguir de seus semelhantes, deixando a sua marca. E nesse caso, o algo a mais são os elementos cyberpunk.
Logo na abertura, e espelhando a do primeiro GitS, com direito à soberba trilha sonora composta por Kenji Kawai, vemos em magníficos detalhes o passo-a-passo da fabricação e ativação de um andróide, feita totalmente em animação CGI. Assim como no primeiro filme, essa sequência é precedida de uma pequena abertura, dessa vez com Batou e o primeiro indício da história, que dará o tom do filme.




















O que se segue no restante do filme é o esperado de mais um filme da série GitS: poucas mas excelentes cenas de ação e vários "intervalos" filosóficos, nos quais os personagens principais e secundários trocam citações relevantes ao tema ou não. Algumas vezes um simples diálogo pode se tornar uma discussão pesada no tom filosófico, o que pode pegar alguns desavisados de surpresa. Até mesmo os que esperam tais cenas de um filme dirigido por Mamoru Oshii podem ser pegos off guard. Comparado com o primeiro GitS, Innocence é muito mais pesado nesse sentido, podendo desistimular o espectador mais casual. E talvez esse seja o seu maior problema. Por volta de uma hora de filme, eu mesmo tive que tirar um intervalo por que realmente fica pesado e um pouco difícil de acompanhar. Innocence não é leve nas indagações de filosofia, muito mais que o primeiro e até mesmo Avalon.

Exemplos:





E falando nesse live-action, Innocence parece muito mais uma sequência de Avalon do que do primeiro GitS, tematicamente falando. Além dos tons de sépia e amarelo usados por Oshii tanto em Avalon quanto em Innocence, ambos os filmes exploram praticamente o mesmo tema, apesar de terem resultados diferentes: o conceito de realidade. Seguir o tema do primeiro filme seria fácil demais e Oshii deliberadamente escolheu seguir outro caminho. Duas cenas que se destacam é a cena na loja e a cena na mansão. A cena da loja é requintadamente feita, com todos os seus detalhes e pompa, mas a da mansão realmente é o destaque do filme. Com exímia demonstração de habilidades de hacking, os dois personagens principais são vítimas dessa experiência que os fazem questionar o momento (o que me lembrou a cena genial de déjà vu do primeiro Matrix).



 E são salvos desse labirinto por ela, como combinado antes:




O anjo da guarda da série e de Batou. Um filme da série não seria um sem a presença dela, talvez a melhor personagem cyberpunk de todos os tempos, contando tanto os filmes quanto a série Stand Alone Complex.

Após os eventos do primeiro filme, ela é dada como desaparecida e apenas Batou sabe, ou pensa que sabe, o que aconteceu com o seu paradeiro. Em Innocence, Batou ocupa o lugar de Motoko como protagonista da história, tentando se recompor e lidar com o desaparecimento da sua parceira. Togusa é atribuído como seu novo parceiro e também sente os efeitos da não-presença da Major, não sabendo como lidar com tal fato e como se equiparar à Major como parceiro de Batou.

Em paralelo, Togusa serve como alguém que o público pode se identificar (talvez o único do filme?) e Batou, mais do que nunca, é a persona de Mamoru Oshii na história, perdido no mundo depois do desaparecimento da sua personagem principal. É difícil superar tal perda, levando em conta o carisma e o peso que tal personagem tem, mas Oshii consegue com sucesso levar Innocence adiante, deixando a ausência da Major em segundo plano até mais que da metade da história, trazendo-a de volta para salvar o dia, ainda que por meios não-convencionais, que se sobressaem em uma história cyberpunk.

Reencontro:


Chegando à conclusão:





Para terminar, vale a pena assistir Innocence, quer você esteja procurando um bom policial, uma boa história, um bom cyberpunk ou apenas um longa-metragem com "gráficos bonitos". A cada filme, Oshii se supera e depois de 6 anos de seu lançamento, Innocence ainda surpreende. Mal posso esperar pelo próximo filme da série. Quem sabe explorando os efeitos do amálgama Motoko/Puppet Master no mundo? William Gibson, coincidentemente, escreveu em Count Zero (segundo livro da "Trilogia Sprawl" depois de Neuromancer) algo similiar, mas isso é assunto para depois.

Curiosidade final e que vale a pena conferir é o "Kenji Kawai's Concert 2007 Cinema Symphony", em duas partes com música do filme:






Friday, July 2, 2010

Avalon

After a 5 year hiatus, following 1995´s animated Ghost in the Shell feature, Mamoru Oshii released Avalon, a Japanese-Polish live action film.



Avalon tells the story of Ash, played by Polish actress Małgorzata Foremniak, and her forays into the world of a illegal virtual reality game called, yes, Avalon.

She is one the best players around and soon begins to hear stories of a secret level hidden inside Avalon called Special A.

What happens next is Ash´s quest for acessing the Special A level.

Avalon is Mamoru Oshii at his best. The story is told at a slow, contemplative pace and daily life routine, reminiscent of Ghost in the Shell; the cinematography shot in sepia tones, both in the VR and Real World, blurring the thin line between what is real and what is not; a musical interlude that may provide clues to the overral plot and much more.

Avalon takes its time to develop - expect deep level philosophy discussion between characters that may provide more clues to the plot.

There are many parallels to Ghost in the Shell that i will leave it for a more in depth comparison to another time.

Even tough that there are many similarities between Gits and Avalon that may turn off some people, the former is a solid cyberpunk movie that will surely make an impression, just like Mr Oshii´s other films.

A few screenshots that might come of attention:

Our heroin



Kicking virtual ass



Ash´s Avalon Statistics



Beautiful shot



Ghost in the Shell styled menu



Final boss