Monday, February 7, 2011

All Is Full Of Love - Bjork

Última faixa do álbum Homogenic, de 1997, All is Full of Love também foi o último single lançado, de um total de cinco.

Single
Um vídeo foi produzido para a faixa, dirigido pelo britânico Chris Cunningham, diretor de clipes e artista audio-visual, com alguns créditos em efeitos especiais e maquiagem, o mais notável deles sendo no filme A.I, apesar de não ter trabalhado na versão final do filme, tendo apenas produzido efeitos animatrônicos durante a pré-produção, quando Stanley Kubrick ainda pretendia dirigir A.I.
Cunningham foi cotado por algum tempo durante o começo dos anos 2000 para dirigir a adaptação para o cinema de Neuromancer. Outro fato interessante é que Gibson, esritor de Neuromancer, baseou-se em Cunningham para criar o personagem Damiem, em seu livro Reconhecimento de Padrões, personagem que tem um certo fetiche por manequins.

O vídeo é, no mínimo, extraordinário. Não possui nenhuma história definida, e isso casa perfeitamente com a música: dois robôs fazendo amor.

Foi produzido pela empresa Glassworks, que em 2000 ganhou o prêmio do MTV Video Music Awards, na categoria de melhor efeitos especiais.

O ambiente branco, a brancura dos dois robôs deixam uma impressão de esterilidade entorpecida e os movimentos dos personagens são de uma calmaria assustadora, misturando-se com o downtempo da "trilha sonora".







Making of:

Chris Cunningham




Bjork e Cunningham

Entrevista com Cunningham
Amor entre robôs seria possível?


Segundo essa fantástica criação de Bjork, Cunningham e da Glassworks, seria sim.

Saturday, February 5, 2011

eXistenZ

eXistenZ é um filme lançado em 1999, estrelando Jude Law e Jeniffer Jason Leigh e dirigido por David Cronenberg.
A sinopse, retirada do IMDB:
"Uma designer de games fugindo de assassinos deve jogar sua última criação para determinar se o jogo está danificado ou não."





Traduzindo: Crash
Falar mais da história de eXistenZ seria estragar o filme, basta saber que o elemento da realidade virtual é parte integral da história.

Ou seja, o filme tem lá os seus (muitos) mindfucks, assim como qualquer outro que lida com VR e a natureza da(s) realidade(s).

Outro filme que me lembrou bastante enquanto assistindo a esse foi Inception, A Origem aqui no Brasil. Os dois têm a semelhança de lidar com a percepção da realidade e essa na verdade é a única similaridade entre ambos: Inception tem em sua "vantagem" o tema de sonhos e identidade, enquanto eXistenZ é basicamente sobre vícios e percepção. E eXistenZ é, no fundo, biopunk.

A maneira que Cronenberg retrata o console do futuro é interessante, de uma maneira que só ele poderia fazer com finesse.
Os game pods dão ao filme o elemento biopunk, e a junção homem-máquina dá um novo twist na experiência de jogar um jogo.
Apesar de não ser mencionado, essa tecnologia biológica parece substituir a tecnologia eletrônica a que estamos acostumados, como telefones e computadores.

O grande problema do filme é que foi lançado em 1999, ano também de Matrix e outra pérola do gênero, The Thirteenth Floor.
Todos sabem que Matrix foi um sucesso inesperado, ofuscando esses dois filmes que tiveram a má sorte de terem sido lançados antes ou depois do filme dos Irmãos Wachowski.







 

Friday, February 4, 2011

13º Andar

Lançado em 1999, mesmo ano de eXistenZ e Matrix, e assim como o primeiro, 13º Andar sofreu com o sucesso inesperado do segundo, que ofuscou quaisquer chances de ambos alcançarem um sucesso maior, apesar dos dois serem dignos de ter um reconhecimento maior.

O grande diferencial de 13º Andar é atmosfera noir, remetendo aos filmes hardboiled dos anos 40, com as obrigatórias figuras do detetive durão, o mocinho e a inevitável femme fatale.

Assim como eXistenZ, o ponto forte em 13º Andar são as boas atuações do elenco, formado por nomes não tão famosos, mas fortes o suficiente para vender a história do filme.
Talvez o mais conhecido deles é Vincent D'Onofrio, excelente character actor de filmes e televisão que aqui interpreta dois papéis, mas outros bons atores fazem parte do elenco, como Gretchen Mol e Armin Mueller-Stahl.


 




 



 

A história em poucas linhas: um desenvolvedor de software é o principal suspeito no assassinato de seu amigo e patrão, que alega ter feito uma descoberta sem precendentes.
Como o filme lida com realidade virtual, não é surpresa nenhuma quando as coisas não aparentam ser o que são, e a própria realidade começa a ser questionada, exatamente como em eXistenZ e Matrix.

Outro filme que pode ser citado é Blade Runner, com influências no próprio template da história, influenciados pelo gênero hardboiled, e aqui temos algumas referências ao filme dirigido por Ridley Scott: além da figura da femme fatale, a arquitetura em 13º Andar é muito semelhante à de BR, principalmente aqui  


E aqui, nos apartamentos dos protagonistas:



Mas Blade Runner e 13º Andar são filmes completamente diferentes na história e em sua execução, e as semelhanças terminam aqui.

É uma grande coincidência três filmes lidando com o mesmo tema terem sido lançados no mesmo ano, os três com resultados tão diferentes um do outro. Os fãs do gênero só têm a agradecer.

Como curiosidade, a fala abaixo foi usada como sample na música Sex Offender da banda industrial Front Line Assembly.

Appleseed Ex Machina

Três anos após Appleseed, Ex Machina é continuação direta do primeiro e a terceira adaptação dos mangás, se incluirmos o primeiro OVA lançado em 1988. Como os produtores resolveram ignorá-lo por completo, então também o faremos, fazendo com que Ex Machina seja a segunda adaptação da franquia para os cinemas.

Novamente sob direção de Shinji Aramaki, temos um novo nome nos créditos de produtor, mas velho de guerra dos filmes de ação: John Woo. E a influência dele é sentida por todo o filme, em especial na sequência de abertura do filme, com todas as marcas registradas que fizeram-no famoso no mundo inteiro no final da década de 80 e começo dos anos 90: cenas em igrejas e catedrais, com pombos brancos voando, personagens segurando armas nas duas mãos de costas um para o outro, atirando em tudo que se move, tudo isso em slow motion.



A história se passa novamente em Olympus, a mesma cidade do primeiro Appleseed. Em Ex Machina, vários ataques terroristas acontecem ligados tanto a cyborgs quanto a humanos e cabe à E.S.W.A.T. investigar, com Briareos podendo ter algum tipo de ligação aos ataques.
É claro que o plot é muito mais do que isso, com um pouco de política envolvida, como no primeiro filme, e alguns outros elementos.

Já vi essa cena em outro lugar...
Lendo algumas opiniões em vários sites, muitas pessoas criticaram Ex Machina, dizendo que o filme parece ser muito mais um não-interativo game do que um filme propriamente dito. Acredito que dizer isso é perder o foco do filme, que é mais centrado na ação do que em exposição. Ou seja, a história não é o forte, e apesar de ter algumas boas idéias, a produção resolveu trilhar outros caminhos, deixando alguns elementos apenas na superfície, e não as explorando a fundo.
A trama é boa o suficiente para justificar o filme. De novo, esse nunca foi o forte em Appleseed, e em Ex Machina não é diferente. Se você está procurando algo profundo para quebrar a cabeça, procure em outro lugar. Ex Machina é todo ação, com o suficiente de cenas expositórias para finalmente voltar ao que interessa: a ação.

Um elemento que chama a atenção são os visuais. Aqui em Ex Machina temos uma animação totalmente em computação gráfica. E a qualidade é um colírio aos olhos, detalhada e muito mais fluida e dinâmica, se comparado ao seu antecessor. Orçamentado em cerca de 3 vezes mais que o primeiro, Ex Machina se beneficia em ser bonito, muito bonito.









Talvez para se distanciar da outra franquia também criada por Masamune Shirow, que é mais filosófica, os produtores se enveredam por outro caminho, muito mais fácil mas que não desaponta em sua execução.
Ex Machina é muito mais acessível se comparado com Ghost in the Shell, por exemplo, e o ritmo é de um video game, com direito até a um chefe final.
Recomendado!





Robot love