Tuesday, December 28, 2010

Ghost in the Shell: Stand Alone Complex - Episódio 01

Aviso: Spoilers!

Eu estou na fase Ghost in the Shell, então pretendo resenhar todo o material relacionado. Como já escrevi resenhas dos filmes, falta comentar a respeito da série.

A série, de nome Stand Alone Complex, tem duas temporadas e um filme, chamado Solid State Society.

A primeira temporada foi produzida entre 2002 e 2003 e foi escrita e dirigida por Kenji Kamiyama, com Shirow Masamune, criador do mangá original, tendo crédito de "production advisor", algo como assessor? Seja lá o que for, tanto Shirow como Oshii dão espaço a Kamiyama, que deve ter impressionado os dois com seus trabalhos em Jin Roh e Blood: The Last Vampire. E ele não decepciona. É claro que a influência dos dois são sentidas e Kamiyama disse em uma entrevista:


"So I am extremely grateful to Shirow Masamune, the original author, to let a rookie like myself do the job."

Traduzindo:

"Então eu sou extremamente grato a Shirow Masamune. o autor original, em deixar um novato como eu fazer o trabalho."


Novato, mas com pulso firme.


A primeira temporada tem 26 episódios e eles podem ser divididos em dois grupos:

SA - para Stand Alone e

C - para Complex.

Os Complex são episódios que fazem parte do caso da temporada, o caso do Laughing Man e imprescindíveis para o entendimento da história, enquanto os SA são episódios independentes e contidos. Os SA são legais e ajudam a dar uma distraída do tema principal, mas a série realmente tem destaque nos episódios Complex.

O caso investigado pela seção 9 é do hacker conhecido como Laughing Man, e é o grande trunfo dessa primeira temporada. Não que os episódios Stand Alone sejam ruins, alguns fracos, outros na média, mas o caso Laughing Man mostra o potencial de uma história cyberpunk quando esta é levada adiante por uma equipe competente.

A história é concisa e empolgante, com influências de um caso real que aconteceu no Japão a alguns anos.

Mas vamos começar pelo primeiro episódio, apropriadamente nomeado de Section 9.


Esse primeiro episódio serve de introdução e se você nunca assistiu os filmes ou leu os mangás, não se preocupe. A série se passa em uma realidade alternativa, aonde os eventos dos filmes nunca aconteceram. As personalidades dos personagens são um pouco diferentes também, portanto, a série é uma ótima introdução ao mundo de GitS.

O episódio começa com os seguintes dizeres:



Portanto, indivíduos não foram ainda convertidos em dados até o ponto de poderem formar componentes de um complexo maior. Complicado, não? Não muito.


O primeiro filme também tem semelhante introdução:


"The advance of computerisation, however, has not yet wiped out nations and ethnic groups."


A diferença ao meu ver, é exatamente o que no mundo do primeiro filme acontece: Motoko Kusanagi se une ao Puppet Master, dando origem a um ser inteiramente novo. Como se tentando se distanciar desse mundo e dar personalidade e um setting à série, no mundo de SAC esse processo ainda não acontece. Ponto para eles.


Bom, para resumir a história do primeiro episódio:




Traduzindo:


"Faz 17 minutos desde que robôs geisha fizeram o Ministro e os outros de reféns".

Isso mesmo, robôs geisha. Vou deixar isso no ar para quem não assistiu.

Fazendo jus ao nome do episódio, não demora muito para a Seção 9 ser chamada para resolver a situação:



Motoko usando a camuflagem termóptica. Ou de Predador.



Com a situação de reféns resolvida, logo somos levados à investigação do caso. E essa talvez seja a melhor parte do episódio. Escândalos políticos, cyberbrains, troca de corpos, geishas do futuro, hackers do futuro, o que for; em menos de meia hora, somos levados ao mundo de SAC da melhor maneira possível. Apesar do roteiro ser bem amarrado, nem todas as questões levantadas são respondidas, mas não é esse o caso. O caso é que SAC possui visuais e temas bons o suficientes para se deixar ter o mérito de deixar algumas coisas no ar e partir para o próximo episódio.


Future Geisha

Future Hacker

Future Visual

Future Fetish


E é isso. Esse primeiro episódio possui ação e investigação suficientes para valer no mínimo uma nota 9 e abrir espaço para o próximo episódio.


Recomendado!


Motoko Kusanagi
Antes que eu me esqueça, a responsável pela trilha sonora da série é a Yoko Kanno. Preste atenção na música durante o ataque à casa das geishas, já vale o episódio!

Sunday, December 26, 2010

Innocence: Ghost in the Shell

Aviso: Spoilers!

Bom, como já resenhei o primeiro GitS aqui, estava devendo a resenha do segundo filme da série, Innocence.
Lançado em 2004 e novamente escrito e dirigido por Mamoru Oshii, Innocence teve um orçamento de 20 milhões de dólares e foi co-produzido pelos estúdios I.G e Ghibli.
O primeiro Ghost foi bem recebido em vários aspectos técnicos, entre eles, sendo um dos primeiros animes a misturar com sucesso animação tradicional com animação computadorizada (quem possuir o dvd nacional pode assistir alguns making of a respeito das técnicas utilizadas). Quase dez anos depois, Innocence se utiliza novamente dessa mistura de técnicas, levando a animação em geral, tanto oriental como ocidental, para outro patamar.
Mas esses são apenas detalhes técnicos, que são facilmente perceptíveis logo na abertura do filme e saltam aos olhos. Assim como seu antecessor, o que importa em Innocence é a história e suas várias camadas.
Anos depois dos eventos do primeiro filme, Batou, junto com o seu novo parceiro, Togusa, membros da Seção 9, investigam uma série de assassinatos ligados à corporação LOCUS SOLUS, fabricante de modelos de andróides conhecidos por gynoids, que funcionam como "pleasure models". É importante notar o simbolismo dos manequins tanto em Innocence quanto no primeiro GitS (no qual há um pequeno intermission da Major em uma cena com tais peças).
Innocence até aqui soa como um filme policial. E, no fundo, realmente o é. Um policial com uma excelente história, que sempre tem aquele algo a mais que nos faz gostar do filme como um todo e o faz se distinguir de seus semelhantes, deixando a sua marca. E nesse caso, o algo a mais são os elementos cyberpunk.
Logo na abertura, e espelhando a do primeiro GitS, com direito à soberba trilha sonora composta por Kenji Kawai, vemos em magníficos detalhes o passo-a-passo da fabricação e ativação de um andróide, feita totalmente em animação CGI. Assim como no primeiro filme, essa sequência é precedida de uma pequena abertura, dessa vez com Batou e o primeiro indício da história, que dará o tom do filme.




















O que se segue no restante do filme é o esperado de mais um filme da série GitS: poucas mas excelentes cenas de ação e vários "intervalos" filosóficos, nos quais os personagens principais e secundários trocam citações relevantes ao tema ou não. Algumas vezes um simples diálogo pode se tornar uma discussão pesada no tom filosófico, o que pode pegar alguns desavisados de surpresa. Até mesmo os que esperam tais cenas de um filme dirigido por Mamoru Oshii podem ser pegos off guard. Comparado com o primeiro GitS, Innocence é muito mais pesado nesse sentido, podendo desistimular o espectador mais casual. E talvez esse seja o seu maior problema. Por volta de uma hora de filme, eu mesmo tive que tirar um intervalo por que realmente fica pesado e um pouco difícil de acompanhar. Innocence não é leve nas indagações de filosofia, muito mais que o primeiro e até mesmo Avalon.

Exemplos:





E falando nesse live-action, Innocence parece muito mais uma sequência de Avalon do que do primeiro GitS, tematicamente falando. Além dos tons de sépia e amarelo usados por Oshii tanto em Avalon quanto em Innocence, ambos os filmes exploram praticamente o mesmo tema, apesar de terem resultados diferentes: o conceito de realidade. Seguir o tema do primeiro filme seria fácil demais e Oshii deliberadamente escolheu seguir outro caminho. Duas cenas que se destacam é a cena na loja e a cena na mansão. A cena da loja é requintadamente feita, com todos os seus detalhes e pompa, mas a da mansão realmente é o destaque do filme. Com exímia demonstração de habilidades de hacking, os dois personagens principais são vítimas dessa experiência que os fazem questionar o momento (o que me lembrou a cena genial de déjà vu do primeiro Matrix).



 E são salvos desse labirinto por ela, como combinado antes:




O anjo da guarda da série e de Batou. Um filme da série não seria um sem a presença dela, talvez a melhor personagem cyberpunk de todos os tempos, contando tanto os filmes quanto a série Stand Alone Complex.

Após os eventos do primeiro filme, ela é dada como desaparecida e apenas Batou sabe, ou pensa que sabe, o que aconteceu com o seu paradeiro. Em Innocence, Batou ocupa o lugar de Motoko como protagonista da história, tentando se recompor e lidar com o desaparecimento da sua parceira. Togusa é atribuído como seu novo parceiro e também sente os efeitos da não-presença da Major, não sabendo como lidar com tal fato e como se equiparar à Major como parceiro de Batou.

Em paralelo, Togusa serve como alguém que o público pode se identificar (talvez o único do filme?) e Batou, mais do que nunca, é a persona de Mamoru Oshii na história, perdido no mundo depois do desaparecimento da sua personagem principal. É difícil superar tal perda, levando em conta o carisma e o peso que tal personagem tem, mas Oshii consegue com sucesso levar Innocence adiante, deixando a ausência da Major em segundo plano até mais que da metade da história, trazendo-a de volta para salvar o dia, ainda que por meios não-convencionais, que se sobressaem em uma história cyberpunk.

Reencontro:


Chegando à conclusão:





Para terminar, vale a pena assistir Innocence, quer você esteja procurando um bom policial, uma boa história, um bom cyberpunk ou apenas um longa-metragem com "gráficos bonitos". A cada filme, Oshii se supera e depois de 6 anos de seu lançamento, Innocence ainda surpreende. Mal posso esperar pelo próximo filme da série. Quem sabe explorando os efeitos do amálgama Motoko/Puppet Master no mundo? William Gibson, coincidentemente, escreveu em Count Zero (segundo livro da "Trilogia Sprawl" depois de Neuromancer) algo similiar, mas isso é assunto para depois.

Curiosidade final e que vale a pena conferir é o "Kenji Kawai's Concert 2007 Cinema Symphony", em duas partes com música do filme:






Wednesday, December 8, 2010

Visitantes do CPR - CPR Visitors

Quem são vocês? Por bastante tempo as estatísticas do blogger não têm funcionado muito bem, eu mesmo só conseguindo ver os números nos últimos dias. A maioria dos visitantes são brasileiros, o que me deixa bem feliz - comecei o site sem saber muito bem qual seria a audiência, e portanto, os primeiros posts são em sua maioria em inglês. O que as estatíscas me mostravam bem no começo é que grande parte dos visitantes eram brasileiros, então decidi mudar o idioma geral para o português. Nada mais correto, acredito eu. MAS! Vez em outra, como aconteceu ontem por exemplo, vi que houve visitas de países fora do eixo "normal" - por exemplo, Polônia. Isso mesmo, Polônia. Não faço a menor idéia de como vieram parar aqui, mesmo sabendo que "a net é vasta e infinita", mas espero que eles tenham achado o que estavam procurando! Mesmo com quase tudo em português!

English version:

Who are you? For a long time blogger´s stats have not been working properly, yours truly here only getting to check them numbers out in the last few days. Most visitors are brazilians, which makes me happy - I started this website without knowing what (or who) its audience would be like, so the first few posts were written in english. What the stats showed me was that in the beginning the majority of the visitors were indeed brazilians, so I decided to change the general language to portuguese. Wouldn´t be any other way. BUT! Once in a while, as it happened yesterday, I saw that there were visitors outside the countries from the "norm" - for instance, Poland. That´s right, Poland. I have no idea on how they got here, even knowing that "the net is vast and infinite", but I hope they found what they were looking for! Even tough almost everything is written in portuguese!

Tuesday, December 7, 2010

Macross Plus

Aviso: Spoilers ahead!

Antes de começar a falar de Macross Plus, vou contar como eu conheci esse anime.

Lá por volta dos meus 8, 9 anos existia uma revistinha chamada Herói, que vez ou outra, tinha matérias sobre vários desenhos e seriados japoneses. Eu a comprava para ler sobre os Cavaleiros do Zodíaco, que era febre aqui no Brasil na época. A revista vivia de CdZ mas não era só deles que ela falava.

Logo, comecei a ler todas as matérias e prestar atenção em outros desenhos também. O Macross foi um deles. Na época, a internet e a tv cabo não haviam chegado ainda - pelo menos para mim - e o único acesso a esses produtos era pela revistinha.

Acabei descobrindo, sem querer, um desenho chamado Guerra das Galáxias que passava esporadicamente em algum canal obscuro da tv aberta - devia ser na CNT ou Gazeta, algum desses. Provavelmente eu sabia, por intermédio da Herói, que o Guerra das Galáxias era o Macross original (ou ainda Robotech, na versão americanizada), porque eu lembro até hoje a primeira vez que assisti o Guerra e ter ficado bastante contente. Eu estava finalmente assistindo um desenho que havia lido a respeito na revista.

Pulando anos depois, eu ainda não assisti o Macross original, a série, apesar de ter assistido o filme - Macross: Do You Remember Love? - que compacta os acontecimentos dos 36 episódios em pouco menos de 2 horas.

Mas eu finalmente assisti o que eu mais queria, e tema dessa resenha - Macross Plus.

Viabilizado como um OVA - Original Video Animation, formato popular no Japão - de 4 episódios de cerca de 40 minutos cada, Macross Plus herda de seu antecessor os elementos que fizeram a franquia bastante popular em seu país de origem e nos EUA: personagens carismáticos, cenas de ação bem movimentadas protagonizadas por caças de guerra, músicas pop melosas o suficiente para parar uma guerra e, acima de tudo, um triângulo amoroso, esse último talvez o que tornou a série uma das mais famosas de todos os tempos.

MP foi dirigido por Shoji Kawamori (basicamente o criador da saga Macross) e por Shinichiro Watanabe (diretor de, entre outras séries, Cowboy Bebop) e escrito por Keiko Nobumoto - outro envolvido em Cowboy Bebop, responsável pelos roteiros da série.

MP se passa no ano 2040 no planeta Eden, até onde sei, alguns anos depois da primeira série. Portanto, se você não assistiu o original, não se preocupe, não é obrigatório assisti-lo para aproveitar totalmente esses 4 OVAs. Existem alguns easter eggs espalhados aqui e ali, e eu só consegui pegar um (na forma de música) mas não é nada que interfere na experiência.

O planeta Eden é uma colônia da humanidade e poucas informações são dadas a seu respeito, como sua localização e como os humanos foram parar lá. Acho que pouco importa, alguns elementos sendo reconhecíveis logo de cara, como "wind farms" para produção de energia e a Eden City, muito parecida com a nossa São Francisco, com direito a mar e uma ponte similar a Golden Gate.

Mas tudo isso são detalhes.

O que realmente importa são os personagens principais: o humano e cabeça quente Isamu e o meio humano, meio Zentradi chamado Guld. Os dois são pilotos militares de testes com um passado em comum, esse passado tomando forma na figura da personagem que é o elemento-chave da história e a ponta do triângulo amoroso, Myung.

Os três não se vêem a anos e logo se reúnem e a história começa nesse ponto.

O motivo real da separação dos três no passado é apenas contado em rápidos flashbacks, e talvez seja nesse ponto a obrigatoriedade em pelo menos ter conhecimento prévio da série Macross e da raça alienígena Zentradi. Eu tive que ir procurar na internet a respeito para entender melhor esse caso, mas nada que interfira no divertimento, mas ajuda em saber.

Ainda falando nos personagens, pelo menos para mim, demorou um pouco para me simpatizar e até me acostumar com os dois principais. O motivo não sei. Talvez porque não há motivos para realmente simpatizar ou até torcer: é questão de se acostumar mesmo, seja com a chatice de uns ou as choradeiras de outros. No final das contas, você acaba se deixando levar for the ride.

A razão de Macross Plus estar sendo resenhado aqui é que apesar dessa série ser basicamente de mecha e de ficção-científica militar, ela possui suficientes elementos cyberpunk para merecer figurar aqui.

Existem algumas alusões a outros filmes CP do passado, como Blade Runner, através de efeitos sonoros (preste atenção aos 7 minutos e 47 segundos do primeiro episódio) mas o principal elemento do filme e peça chave da história e que realmente faz dessa série merecedora de ser encaixada no gênero cyberpunk é a personagem Sharon Apple.

Sharon Apple, uma inteligência artificial que vira ídolo da música. Soa familiar? Talvez porque esse ano, Hatsune Miku gerou um forte burburinho mundo afora, apesar de já existir a alguns anos. Bem, esse conceito não é novo, e a personagem-holograma Sharon Apple prova isso. As semelhanças são incríveis, principalmente na maneira de como essas duas levam multidões para seus shows. O que difere as duas já cai para o quesito ficção e fator predominante no gênero CP: a revolta das máquinas, a rebelião da inteligênicia artificial para com o seus criadores. Enquanto a idoru Hatsune Miku não representa perigo, Sharon Apple, através de seu avatar humano (outro elemento que não vou contar aqui), se rebela e decide dar ao personagem principal o que ele têm procurado desde sempre. Inteligências Artificiais que se rebelam tem um monte por aí, agora uma I.A. que decide prover algo a alguém, como um sentimento ou emoção, foi um elemento novo para mim. É aqui que Macross Plus tem êxito. Não são nas cenas de ação, batalhas, perseguições de caças, que para falar a verdade são poucos (mas muito bem feitos); o verdadeiro triunfo é no drama humano. E porque não no drama artificial também?

Outro elemento que vale a pena em Macross Plus é a trilha sonora. A compositora e multi-instrumentista Yoko Kanno, que trabalharia com Watanabe novavemente em Cowboy Bebop é a responsável pela trilha de Macross Plus. Para quem conhece CB, reconhecerá de imediato o estilo inconfundível da genial compositora.

Uma música que me chamou bastante atenção é a Idol Talk, que aparece por poucos segundos em MP mas pode ser conferida aqui in all its sexy glory:





Algumas cenas




De Volta Para o Futuro says hi



Bem-vindo a 1994. Ou seria 2010?




Sharon Apple



Suspeite de todo computador que tiver apenas um olho vermelho:



Como esse


Man-machine interface



Sharon Apple In Concert





Sexy


SEXY


Quero uma jaqueta dessa:


The plot thickens


SDF Macross


Mais um show




MP humilhando Independence Day e 3001


Mindfuck